Foto 18 de 20 - Para ter direito de uso por dois anos de um grupo com quatro carros (Ferrari Spider, Mercedes SL, Corvette e Mini Cooper), o cliente do Four Private Group terá que desembolsar R$ 287,5 mil (taxa de adesão), mais R$ 13,8 mil (taxa de manutenção/mensal) Divulgação
Quem nunca sonhou em ter um jatinho particular, um iate ou uma Ferrari? Mas, como todo mundo sabe, para realizar esse sonho é preciso ter muito dinheiro no bolso.
O compartilhamento de bens de luxo surge como uma nova modalidade que pode facilitar um pouco a realização desses sonhos de consumo. Mas o serviço é para quem já tem uma boa reserva financeira.
O conceito que já existe na Europa e nos Estados Unidos há pelo menos 30 anos, chega agora ao país em duas formas diferentes: a Prime Fraction Club trabalha com o fracionamento dos bens, ou seja, o cliente é sócio de outras pessoas, e a empresa cuida de todo o gerenciamento; já a Four Private MotorInvest busca interessados e compra os bens para a utilização dos usuários.
“Nós atendemos clientes especiais que querem ter um bem de luxo, sem precisar arcar com todas as despesas. No Brasil temos uma demanda reprimida muito grande para esse tipo de serviço”, diz o presidente da Prime, Walterson Caravajal Jr.
Para o empresário Ricardo Straus, da Four Private, quem busca o compartilhamento poderia ter o bem de luxo individualmente.
"Todos os nossos clientes poderiam ter o bem sozinhos, se quisessem. Mas essas pessoas não querem perder tanto dinheiro investindo em um ativo caro e por isso procuram a nossa empresa. Trabalhamos com um público AAA", disse.
Como funciona o serviço?
Veja a seguir algumas características das empresas que atuam no setor:
Prime Fraction Club
A empresa gerencia o uso compartilhado de bens de luxo como jatos, helicópteros, iates e carros. Pessoas interessados em comprar um desses itens procuram a empresa, que espera pelo número mínimo de interessados em adquirir o bem.
O valor mínimo para se tornar sócio do clube (equivalente a uma cota de um helicóptero Robinsson R44) é de US$ 110 mil, mais as taxas de manutenção (aproximadamente R$ 6,9 mil por mês). Esse valor dá direito a 20 horas de utilização mensal. Para efeito de comparação, esse mesmo helicóptero, comprado novo, sairia por pelo menos US$ 690 mil.
Para ter acesso a uma Ferrari, por exemplo, é possível que até oito pessoas dividam um pacote com quatro veículos, entre os disponíveis no catálogo da empresa (Ferrari, BMW, Maserati e Camaro). A taxa de entrada para a compra dos veículos é de R$ 350 mil, mais o valor mensal de manutenção (R$ 5.670). Isso dá direito de utilizar o bem por duas semanas durante cada mês.
Já o avião Phenon 300, que possui a cota mais cara do catálogo da empresa, custa US$ 2,8 milhões e pode ser comprado por até quatro pessoas. A mesma aeronave se fosse comprada individualmente sairia por no mínimo US$ 8,5 milhões.
A empresa é quem gerencia a utilização dos veículos com cada proprietário. Quando um dos sócios do clube não utilizar as horas totais do próprio bem dentro de um mês, poderá usar um outro veículo gerenciado pela empresa. Por exemplo, quem possui um helicóptero poderá fazer um passeio de lancha ou dar uma volta numa Ferrari com as horas que estiverem sobrando.
“Um avião pequeno custa US$ 4 milhões, mais US$ 60 mil por mês com manutenção. Quando você divide isso por três, as despesas caem bastante. É quase o mesmo valor de compra de um apartamento de 3 ou 4 quartos no Leblon”, afirmou Carvajal.
Four Private Motorinvest
Operando com três divisões, a empresa oferece a grupos de dois a quatro clientes a possibilidade de compartilhar o direito de uso de automóveis de luxo pelo período de dois anos. Iates, helicópteros e jatos privados podem ser usados por até seis anos.
Nesse modelo de negócio, o cliente investe um valor pela aquisição do direito de uso do bem e uma quantia mensal pelo período de contrato, enquanto a Four Private cuida da administração, como seguro e muntenção.
O cliente tem o bem disponível por um período determinado a cada mês, que varia entre cinco e sete dias. A Four Private vende o direito de uso, sendo que o bem é de propriedade da empresa.
Por exemplo, para ter direito de uso por dois anos de um grupo com quatro carros (Ferrari Spider, Mercedes SL, Corvette e Mini Cooper), o cliente terá que desembolsar R$ 287,5 mil (taxa de adesão), mais R$ 13,8 mil (taxa de manutenção mensal). No final do prazo, o cotista pode receber até metade do valor da taxa de adesão de volta.
O iate de luxo NuMarine (avaliado em R$ 12 milhões) custa R$ 2,92 milhões (taxa de adesão), mais uma mensalidade de R$ 28 mil. O cotista poderá utilizá-lo uma semana por mês.
"Como a depreciação desses bens é grande, o nosso cliente tem a oportunidade de aplicar o dinheiro que vai 'economizar' e, no final do contrato, não terá perdido tanto dinheiro caso tivesse comprado esse bem sozinho", diz Straus.
Antes de investir é preciso experimentar
Para o professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Samy Dana, antes de investir num bem de luxo, o ideal é que o interessado saiba exatamente como pretende utiliza-lo.
“Compartilhar os custos pode ser muito vantajoso, desde que a pessoa realmente utilize o bem. O ideal é começar alugando, depois a compra compartilhada e, se tiver dinheiro e vontade, comprar o bem sozinho”, disse.
Segundo o professor, nem mesmo os ricos podem se dar ao luxo de desperdiçar dinheiro.
“A compra compartilhada é ideal para quem quer aproveitar e dividir despesas. Um barco, por exemplo, dificilmente é utilizado a toda hora. Por que não comprar com mais pessoas e dividir os altos custos de manutenção?”, afirmou o professor da FGV.