..."Penso sinceramente que se todos os homens não pudessem viver uma quantidade de outra vida além da sua, eles não poderiam viver a sua." (Paul Valery).
Em 1989, 16 anos atrás, pedi demissão da organização (multinacional holandesa) na qual trabalhei durante 10 anos, mesmo com estatus de diretor e algumas mordomias adicionais.
Estava aparentemente jogando para o alto uma carreira de 20 anos em ascensão na área de recursos humanos e administração de empresas. Fui duramente criticado por amigos e parentes.
Iniciei uma outra vida profissional. Como Professor Universitário na PUC São Paulo e Consultor de Empresas.
Hoje fico me perguntando: primeiro,por quê abandonar uma carreira estável e segundo,o que eu ganhei com isso?
Pedi demissão na época pela razão simples e realista de estar acomodado. Não encontrava mais desafios. Sentia-me infeliz.
Quando me vi na PUC,diante de vários alunos, no meu primeiro dia de aula, senti que estava realizando um sonho muito antigo. Descobri um grande desafio. Tive que estudar e pesquisar muito. Fui obrigado a iniciar meu curso de mestrado.
Os alunos me desafiavam e me motivavam.
O novo me fascinava e encontrei nas salas de aula e nas minhas pesquisas muita satisfação e alguma paz interior, mesmo ganhando uma merreca de salário.
Durante esses anos todos lecioneisobre recursos humanos nos cursos de graduação e pós e nos últimos 3 anos , com novos desafios, acrescentando Administração Estratégica, Teoria Geral de Administração e Criatividade em Negócios.
Como Consultor de Empresas, praticamente sozinho e sem experiência, tive um início de carreira muito conturbado e logo com um Plano Collor nas costas. Passei por momentos alternados entre muitos projetos ou nenhum.
Fiz trabalhos para 60 organizações e treinei aproximadamente 2.000 profissionais.
Em resumo, financeiramente não me saí bem. Cometi algumas falhas e a mais grave delas foi a falta de investimentos em Marketing, o que estou tentando corrigir. Ainda dá tempo e é mais um novo desafio pra mim.
Mas o meu maior ganho e meu grande tesouro é o conhecimento que adquiri. Este ninguém tira de mim. Nem o leão.
Estou agora me lançando mais um grande desafio, dentre tantos. Concluir meu Livro, que estava engavetado. Também um sonho antigo. E que espero, garanta minha aposentadoria.
Na verdade, o que tudo tem a ver com o título do artigo. Somente tudo. Gostaria de deixar aqui, se os jovens profissionais me permitirem, alguns recados:
O responsável por sua carreira é você.
A empresa para a qual você trabalha não tem nada a ver com sua carreira. Ela deve facilitar o seu acesso e manter um honesto e transparente plano de desenvolvimento. A escolha é sua.
Esqueça as pressões da família e amigos. Filtre as sugestões.
Procure encontrar e concentrar-se somente nas suas ambições.
Não se iluda fortemente em querer trabalhar somente numa grande organização. Lembre-se de que elas estão cada vez mais escassas, que existe um imenso mundo novo de médias e pequenas empresas ou ainda, um você como empresário em novos negócios. Reflita. Aquele emprego fixo, bonitinho, estável, para ficar 10, 15 e até 20 anos e que, inclusive algumas pessoas agregavam como sobrenome, já era, ôôôô “meu”.
Procure sempre novos desafios. Eles te sustentarão em todos os sentidos.
Termine sempre os dias com a nítida impressão ou certeza de que tenha feito alguma coisa boa para “você”.